13 Abril 2012

Psicólogo, mais que um dom, um chamamento!

Psicólogo, mais que um dom, um chamamento!

Porquê procurar um Psicólogo?
Porque a Psicologia significa o estudo da alma, ciência que se dedica a estudar o sujeito em toda sua dimensão, sua essência: mente e corpo, contentores da razão, intuição, sentimentos, desejos, emoções, comportamentos e seus conflitos nas relações com os outros e consigo mesmo.
Existem muitas maneiras de entender, assimilar e conceituar os conteúdos psicológicos e, dependendo do enfoque dessa análise, surgem as diferentes teorias que vão compreender e explicar a natureza humana de cada sujeito, frente à si e seus conteúdo psíquicos.
As chamadas abordagens ou linhas teóricas da Psicologia, como a Psicanálise, a Psicologia Existencial-Humanista, o Psicologia Psicodramatista, a Psicologia Comportamental, a Psicologia Corporal, a Psicologia Reflexiva entre outras, servem de base e suporte científico para a natureza do tratamento e compreensão do conflito do sujeito, em sua interioridade, subjetiva e inter-subjetiva.
Embora cada uma delas estude o homem de uma forma diferente, todas buscam compreendê-lo de maneira global e todas contribuem na obtenção de uma visão mais precisa e detalhada da condição e características humanas. Da mesma forma, são as técnicas para aplicar clinicamente os conhecimentos psicológicos. A aplicação e intervenção clínica das técnicas psicológicas com objetivo de tratamento é denominada de Psicoterapia.
A Psicoterapia objetiva auxiliar o indivíduo a lidar com suas emoções e com seus conflitos psicológicos da mesma forma que uma professora pedagoga auxilia aqueles alunos que estão sofrendo um problema de aprendizagem, ou um advogado auxilia aquele que tem um problema judicial.
Parece lógico um aluno que não está aprendendo bem procurar um professor particular ou mesmo aulas extras ou alguém que perdeu suas terras ou briga judicial de família procurar um advogado, por exemplo. Mas por que ainda é tão difícil para aqueles que sofrem com seus problemas psicológicos, seja de natureza individual, de casal ou de família procurar um psicólogo?
Existem muitas respostas possíveis para esta pergunta como o antigo preconceito de que a Psicologia só trata de loucos, a idéia de ser um tratamento caro ou então muito demorado, etc. Assim, a pessoa até pensa em buscar ajuda, mas por vergonha ou desinformação, acaba desistindo. A Psicoterapia, ao contrário do que muitos pensam, é um tratamento com começo, meio e fim, onde o psicólogo aplica seus conhecimentos para diagnosticar o problema, entender e criar estratégias, juntamente com, a pessoa que o procurou, para solucioná-lo.
Assim como um médico trata do problema físico, o psicólogo trata do problema psicológico. As dores emocionais, que provocam no corpo físico sintomas dolorosos.
Mas que dores são essas?
Angústias, medos, ansiedades, os problemas de relacionamento, que desencadeiam as depressões e tantas outras dificuldades e inquietações que dificultam ou, até mesmo, impedem o desenvolvimento saudável da vida da pessoa que sofre por não saber lidar com elas.
A psicoterapia é o caminho de enfrentamento dessas questões que incomodam. É um cuidado que se tem com sua saúde emocional. Ter saúde não significa apenas não ter alguma doença instalada no corpo ou na mente, ter saúde significa viver bem, ter qualidade de vida subjetiva e objetiva, dispor de bem-estar físico -prazer constante corporal, psíquico -sensação mental de leveza e alegria e social -prazer de convier e compartilhar da companhia de outras pessoas.
Buscamos fontes de alegria e prazer de diversas formas como no happy hour com os colegas após o trabalho, em casa dialogando com a família e compartilhando histórias.
Lidamos com nossos problemas, enfrentamos as dificuldades que vão surgindo e aproveitamos os bons momentos que vivemos, mas o que fazer quando as coisas não ocorrem assim?
Existem muitas pessoas que se sentem mal freqüentemente, não conseguem levar bem suas vidas, mas preferem mascarar seu sofrimento e esperar que ele passe por si só. Pensam que nada podem fazer a respeito, mesmo sentindo-se infelizes e inadequadas, querem falar e não sentem que são realmente ouvidas ou compreendidas pelas pessoas de seu convívio. Por vezes não se percebem irritadas, agredindo verbalmente filhos e companheiros. Alguns se calam, preferem se isolar.
Existe também quem passa a se entorpecer com drogas e os que podem se engajar em comportamentos viciados e destrutivos como, por exemplo, a utilização exagerada e inapropriada de jogos, da atividade sexual ou de comportamentos de auto-risco para si e para os outros.
Tudo isso pode ser muito eficaz para manter a ilusão e enganar a si mesmo e arrastar seus sofrimentos por mais tempo, mas nunca irão de fato resolver nada de concreto, pelo contrário, vão contribuir para a piora do quadro de angústia, culpa, sensação de vazio, além de outros problemas mais sérios que podem surgir.
Quando algo não vai bem, incomoda, machuca, persiste e não encontramos recursos suficientes em nós mesmos para compreender e enfrentar a situação que está afetando ou impedindo o andamento saudável de nossa vida, é o sinal de que necessitamos buscar um auxílio psicológico, é sua alma gritando num silêncio escuro e desesperador.
A Psicologia vai buscar um ponto de equilíbrio entre suas emoções, suas razões: pensamentos e sentimentos, e, seus comportamentos para favorecer atitudes que gerem segurança e bem-estar.
O psicólogo vai escutá-lo e ajudá-lo a identificar suas dificuldades e necessidades, a refletir a respeito delas e de suas causas criando meios para tratar estes conflitos, gerando, assim modificações positivas em sua vida.
A Psicoterapia pode, realmente, lhe trazer muitos benefícios, mas é importante saber que isso leva tempo e demanda esforço e disciplina do paciente. É um processo muitas vezes doloroso, mas que traz como recompensa o amadurecimento, crescimento e desenvolvimento pessoal.
A procura pelo auxílio de um psicólogo pode se dar pelos mais diversos motivos que vão desde problemas emergenciais muito bem focalizados, orientações e esclarecimentos, dificuldades existenciais ou mesmo pela busca de autoconhecimento.
Problemas de relacionamento interpessoal com a família, amigos, colegas de trabalho, cônjuge-Timidez – Depressão – Stress - Insegurança - Dificuldades Afetivas - Incapacidade para lidar com mudanças – Fobias – Pânico - Alterações freqüentes de humor - Transtorno de ansiedade - Transtorno obsessivo-compulsivo - Transtornos alimentares - Problemas sexuais - Doenças psicossomáticas - Problemas de aprendizagem - Orientação vocacional - Crises de transição das fases da vida como adolescência, maturidade, envelhecimento, etc
Quanto mais cedo se procura ajuda, mais cedo se diagnostica e se trata o problema. Para que o processo psicoterapêutico se dê de forma satisfatória é preciso saber que o psicólogo não tem sozinho as respostas que você procura e, portanto, não lha dará soluções mágicas.
Não tenha receio de visitar alguns profissionais antes de se decidir por aquele que você mais gostou. Procurar ajuda psicológica é um sinal de coragem e maturidade. É a oportunidade que você se dá para olhar de frente seus problemas e as dificuldades causadoras de infelicidade e sofrimento para aprender a melhor maneira de lidar com elas, se fortalecer, desenvolver seus potenciais, se autoconhecer.
É um investimento em sua qualidade de vida psíquica, orgânica e social, e no seu crescimento pessoal. Fazer psicoterapia é reservar um espaço, um lugar e um tempo na sua vida para cuidar de si.

DICA:
É importante lembrar que o correto é dizer: 'estou em Psicoterapia', se o(a) profissional, é da área de Psicologia. 'Estou em (na) Análise', se o(a) profissional é um(a) (Psic)analista. Ao invés de, simplismente: 'estou na Psicóloga'; 'estou na Terapia' (sendo com uma Psicóloga). Terapias, há muitas e em diversas áreas e a Psicoterapia, é o ícone da Psicologia Clínica! Deu pra diferenciar?!
SER PSICÓLOGO É UMA CHAMAMENTO DIVINO!
Fonte: Psicologia.com.pt - O Portal dos Psicólogos

Por: Gelci Nogueira

02 Novembro 2011

A Esquizofrenia na visão Fenomenológica…

Um dos temas que tem sido muito discutido na mídia é o da esquizofrenia.

E esta semana vamos falar sobre ela também em nosso seminário de Psicopatologia, matéria complexa, mas muito importante ministrada pela nossa querida Doutora Maria Aparecida Conti…(minha orientadora que admiro tanto)

O que é a esquizofrenia? Quais são os sintomas? Como se dá o tratamento? Tem cura? E a família? Interna ou não interna o paciente?

Uma gama imensa de perguntas surge diante da perplexidade da doença. E quanto mais respostas eu tenho, mais seguro me sinto, pois consigo explicar esse adoecer por esquemas estáticos, comprovados cientificamente, afastando o fenômeno da loucura do meu cotidiano organizado. Dessa forma, define-se a Esquizofrenia como uma doença onde a principal característica é a cisão entre pensamento e emoção, o que marca uma personalidade fragmentada e desestruturada. Os sintomas são diversos, e muito bem descritos e classificados pelos manuais de psiquiatria. As causas são multifatoriais, envolvendo o âmbito genético e ambiental. Tendo a clareza do diagnóstico, o tratamento se faz cada vez mais eficiente, com toda uma geração de medicamentos de segunda geração que garantem a diminuição dos efeitos colaterais.

Enfim, fala-se da vivência esquizofrênica em blocos teóricos, respondem-se aos “por quês”. Penso que tudo isso seja extremamente importante, até porque vivemos na era da técnica e os avanços das ciências trazem grandes descobertas que se desdobram em benefícios significativos a nossa sociedade.

Mas nessa corrida pela dominação e controle daquilo que é o mal, no caso a Esquizofrenia, porque foge da referência do “normal”, esquecemos de perguntar sobre a pessoa que vivencia essa condição. Como é essa Vivência? Como se mostra o esquizofrênico?

Para isso, vamos passear um pouco pela História e observar como a loucura era vista, por exemplo, no Renascimento: ela era um ponto de vista original, que servia de contraponto para o ponto de vista das pessoas normais, que fazia com que elas entendam o seu modo de perceber era limitado, pois o louco acessava uma parte da realidade que o normal não percebia. E por isso podemos ver na literatura uma obra como “Elogio da Loucura”, de Erasmo de Roterdã.

Mas partir do próprio Renascimento, com as mudanças ocorridas na estrutura política – centralização do poder – a concepção da loucura vai mudando também, passa a ser vista como aquilo que é diferente, e, portanto precisa ser excluído. Com o surgimento da psiquiatria científica e a coroação da Deusa da Razão, a loucura passa a ser o pior crime que o homem pode cometer, justamente porque ela é a perda da razão. Transforma-se a loucura em tudo o que existe de mal. Ela é perda, é o próprio mal e é a mentira.

Na Psiquiatria moderna, o que vemos é o desenvolvimento desse modo de pensar que se inicia lá no Renascimento, mas de uma forma radicalmente mais pragmática. E como já foi dito, temos a classificação dos sintomas mórbidos dos quadros patológicos e a descrição da maneira que esses quadros podem ser modificados – DSM IV e CID 10.

A tentativa de explicar o que funciona e como funciona, que marca o início da Psiquiatria científica, sai de cena e entra as Neurociências, que explicam todo esse fenômeno de forma cada vez mais reduzida ao âmbito das ligações sinápticas.

Primeira metade do século XX, os psiquiatras Jaspers (1883-1969), Minkowski (1885-1972), Von Gebsattel (1883 – 1976), sob influência do pensamento husserliano, descrevem a vivência dos pacientes, buscando a compreensão dos fenômenos patológicos tal como eles se mostram para o investigador e tendo como foco a investigação dos estados da consciência. A consciência no sentido husserliano é sempre intencional, ou seja, é sempre consciência de alguma coisa, não se apresenta, assim, separada do mundo. É importante sinalizar que a Fenomenologia surge como método a partir da crítica às ciências naturais, pois ao estudar o homem a partir do método científico havia a redução do homem ao conceito de objeto como qualquer outro objeto da natureza.

O esforço desses psiquiatras pretende, prioritariamente, esclarecer a dimensão humana e experiencial presente na doença. Visa superar a visão metafísica do homem e aproximar uma compreensão mais humana. E assim, esse movimento guarda o caráter que a loucura tem de interpelação do homem, que questiona o homem em sua propriedade, que oferece uma outra realidade que precisa ser compreendida, e é por isso que a loucura causa medo, espanto, desorganiza.

Vamos ver um pouco como esses psiquiatras compreendem a loucura:

Para Medard Boss (1903-1990), a esquizofrenia é a mais humana e a mais desumana das doenças. A mais humana porque compromete o que só o homem pode ser: clareia, ser aberto – a esquizofrenia restringe essa clareira que é o homem e que permite que os entes se mostrem da forma que eles são; e a mais desumana das doenças porque progride em um processo demencial, fazendo desaparecer a condição humana, tendo apenas como resto uma espécie de homem progressivamente desumanizado. É claro que ele não desaparece completamente, pois ele será sempre ser-com).

Ainda de acordo com a compreensão de Boss, o louco tem uma restrição em seu poder-ser tão acentuada que ele perde a sua liberdade e tem como característica marcante a estereotipia, e é porque os comportamentos reduzem a sua variabilidade e se apresentam de forma cada vez mais uniformes, que será possível classificar. O indivíduo se torna previsível.

Para Ronald David Laing (1927-1989), a loucura é a forma mais radical de solidão. Diferente dos normais, o louco não faz consenso. O consenso não se constitui nem do ponto de vista do próprio louco!

Para Michel Foucault (1922-1984): o louco está perdendo a sua subjetividade, e não a sua objetividade. A objetividade ocupa todo o espaço da experiência. O louco tem uma observação objetiva, as coisas não tem mais significados, mas têm uma presença, concretude. E o projeto da terapia não é trazer o louco de volta para objetividade, mas libertar o louco na sua subjetividade, trazer de volta para o caráter propriamente humano, que não reside necessariamente no caráter objetivo.

Essas são apenas algumas idéias para pensarmos na questão da loucura de uma forma mais abrangente, quebrando os limites protetores de uma ciência pragmática, que concebe o homem em um referencial marcado pelas relações deterministas de causa e efeito. Olhar para a loucura é olhar para nossa própria condição humana, pois o louco questiona nossa fragilidade, pois a loucura não é absolutamente o outro, o refúgio teórico. Pode acontecer com cada um de nós!

Adaptação do Texto de Ana Paula Rodrigues.

03 Junho 2011

FREUD E FOCAULT

Pretendo apenas ressaltar um questionamento de importância central para o reto entendimento do que é o homem segundo dois pensadores extremamente influentes da contemporaneidade: Freud e Foucault. Não entrarei agora em particularidades e detalhes. Apenas traçarei linhas gerais que me permitirão um aprofundamento posterior. O assunto que irei abordar é também de enorme importância para o pensamento de ambos. Trata-se da efetiva noção de liberdade individual.
Para Freud, estamos indefinidamente presos numa intricada trama de neuroses (somatizações de conflitos emocionais) decorrentes de nossos relacionamentos familiares mais próximos. Segundo o pai da psicanálise, estas neuroses aprofundam-se tanto que se tornam parte constitutiva do nosso ser, a tal ponto que não se pode mais separá-la de um eu pretensamente livre. Freud acreditava que não se podia dissociar a neurose do eu sem destruí-lo por completo. Atentem para o profundo pessimismo desta idéia, tão revelador de uma profunda descrença no homem.
Já Foucault era mais instruído em filosofia. Esse conhecimento poupou-o de algumas asneiras freudianas. Foucault sabia que o homem se faz a si mesmo como quiser, ou seja, não é determinado por nenhuma experiência anterior, pode-se construir como lhe parecer mais adequado. Através de profundas análises históricas, o francês demonstrou a evolução das idéias, o que revela o seu caráter de criação. Portanto, Foucault não caia na ingenuidade de achar que o homem é natural, ou seja, sabia que o homem é uma construção de si.
Pelo que disse até agora, parece que Freud é um determinista e Foucault é um radical mentalista. Isso não estaria propriamente correto, pois, ainda que estas breves frases revelem em síntese o que Foucault pensava, Freud está mal representado nelas, pois ele acreditava que o homem se pode transformar a si mesmo. Freud apenas não compartilhava da idéia de que há liberdade total no processo, por isso acreditava que o homem não consegue se libertar totalmente das neuroses. Uma pena, porque os filósofos clássicos já tinham demonstrado a liberdade total há milênios.
Por sua vez, Foucault também não está plenamente correto, pois a infância marca impressões profundas na mente humana. Pode-se demonstrá-lo através dos padrões de comportamento adquiridos, comprovados pelas neurociências. Caso uma pessoa seja educada de maneira muito disfuncional em sua infância, a reparação dos danos levará tempo e exigirá muita paciência e determinação. Porém, ao contrário do que Freud ensina, ainda que nunca nos tornemos perfeitos, é possível uma superação efetiva das neuroses, com evidente melhora na qualidade de vida.
Isso só é possível porque as interconexões entre nossos neurônios podem ser remodeladas conforme um treinamento que podemos nos impor. Aí se vê como a liberdade é total, pois podemos modificar absolutamente tudo em nossa personalidade. Não importa que tenhamos sido, por exemplo, educados dentro do protestantismo mais radical. Podemos nos fazer o mais corrosivo tipo de ateu, como Marx ou Nietzsche, ambos filhos de pastores. Tampouco importa a lascívia que tenhamos vivido. Podemos nos converter como Santo Agostinho ou São Francisco.
Portanto, percebam que estou bem mais próxima de Foucault do que de Freud, pois, como afirmado, não apenas a filosofia clássica afirma a completa construção das crenças humanas, mas também a medicina têm demonstrado que o homem pode se fazer como quiser. O interessante é que, mais uma vez, a melhor solução do problema parece estar no meio-termo. Só não se pode corroborar com o erro grosseiro de que o homem é determinado pelas suas experiências anteriores, pois nem Freud concordava com isso. Essa idéia é defendida apenas por pessoas ignorantes em filosofia e psicologia.
Tenho a sensação de que este texto simples e despretensioso me ajudará a organizar certos raciocínios. Pretendo desenvolver maiores detalhes aos poucos, entrando nas várias particularidades. Provavelmente a primeira delas será uma tentativa de compreensão do mecanismo com que elegemos nossas prioridades, pois o modo como escolhemos é, de fato, a melhor maneira para analisar o que somos, visto que muitos agem de maneira vergonhosamente oposta ao que dizem. O desvendamento desta imoralidade absurda é importantíssimo para se compreender o homem.

Fiquei admirada com este texto, o escritor é estudante de Medicina….APROVADO

Adaptado:Henrique Rossi,

26 Maio 2011

Reforma Psiquiátrica: a realidade da loucura!

Por Celso Ricardo Bueno, médico psiquiatra do CAPS Dr. Luís da Rocha Cerqueira (CAPS Itapeva – São Paulo).**

A reforma psiquiátrica brasileira acontece dentro do contexto de reforma sanitária e redemocratização. Mas ela teve uma trajetória própria que tem alguns marcos, tais como a criação do Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental – MTSM(1978); a criação do caps itapeva na cidade de São Paulo(1987); I conferência de saúde mental (1986); encontro do MTSM em 1987 na cidade de bauru; intervenção na Casa de Saúde Anchieta (1989) e apresentação do projeto de lei Paulo Delgado em 1989 que propunha o fim dos hospitais psiquiátricos e manicômios. Todos esses eventos encorporam o que convencionamos chamar de reforma psiquiátrica que nada mais e do que o redirecionamento do modelo assistencial em saúde mental. Muda-se o foco. Sai de protagonismo a doença, entra o sujeito. Por isso que se diz, “colocar a doença entre parênteses”. Não significa negar doenças, mas entender que o olhar para o sujeito em sofrimento permite mais possibilidades. Bom, não preciso dizer que aqui esta posta uma luta de classes e de poder. Entre os médicos a negação da violência das instituições totais não é infrequente, ela vem disfarçada de diversas maneira.

De fato ao tratar o doente com uma única possibilidade, o violentamos. Assim a internação de longa permanência como único recurso para lidar com o louco se mostrou ineficaz, pois o distanciava da sociedade, concretamente, pois a maioria dos grandes hospitais ficavam longe de suas casas, afastados dos centros urbanos, isolados, cidadelas de loucos. Creio que o processo de alienação do trabalho contribuiu muito para a manutenção desse sistema, pois não havia espaço para criticas de sua própria pratica. Não dá pra culpar apenas os profissionais. Mas certamente aqueles que lucravam com essa industria da loucura sim: donos de hospitais, INPS, laboratórios e industria farmacêutica. A loucura deu e ainda dá muito dinheiro…

A visão da sociedade sobre a loucura mudou muito ao longo dos séculos, de doença dos humores na antiga Grécia, a possessão demoníaca na Europa medieval e renascentista, uma visão de doença moral na revolução francesa, a algo q deve ser eliminado dos olhos no século XIX. Saíram das cadeias e inquisições e ganharam as colonias e manicômios… Ao longo do século XX, a psiquiatria como ciência avançou muito, nas classificações diagnosticas de Kraepelin, aos tratamentos somáticos, as terapias de choques e posteriormente os remédios que agem no cérebro. Mas diferentemente do restante da medicina, a psiquiatria nasceu dentro do hospital e não o contrário.

Completamos 10 anos da chamada lei da “reforma psiquiátrica”, a 10.216/2001 que redireciona o modelos assistencial em saúde mental. A partir disso, pode-se criar portarias instituindo os equipamentos substitutivos (os CAPS), os programas de volta pra casa, as residencias terapêuticas, entre outras. Hoje a rede conta com mais de 1650 CAPS, 571 Residencias Terapêuticas e tantas outras bolsas do programa de volta pra casa. Além disso, também conta com as unidades básicas de saúde, os prontos-socorros com emergências psiquiátricas, leitos psiquiátricos em hospital geral e ainda uma rede de hospitais psiquiátricos, com muito menos leito que em 2001. Apesar de todo esse avanço, ainda temos muitos obstáculos a serem enfrentados, ampliação da rede de atendimento e capacitação e qualificação dos profissionais.

Tais qualficações devem ser buscadas todos os dias, mesmo após a nossa formação acadêmica, mas as experiências que vivenciamos na pratica e na teoria durante o curso são enriquecedoras para um futuro de atuação profissional e atendimento terapeutico para um olhar mais humanizado daqueles que ja foram excuidos, calados e esquecidos pela sociedade.

Aprendemos que a grande questão do paciente psiquiátrico é sua inserção social já que, um dos seus grandes sofrimentos é justamente essa inabilidade.

Desculpem a ausencia de postagem, mas estou empenhada em entender a loucura.

Grande Abraço.

Sandra Silva

19 Abril 2011

O Esquizofrênico é um sujeito Perigoso?

O recente massacre de Realengo despertou o debate acerca da possibilidade de o comportamento de tais autores ser mais bem explicado pelos chamados transtornos mentais. Dentre os vários especialistas que buscaram explicações para o comportamento de Wellington, o atirador da escola do Rio de Janeiro, alguns chegaram a apontar a esquizofrenia como uma possível justificativa para sua ação. 

A esquizofrenia demonstra-se como um desafio para todos os estudiosos em psicopatologia. Embora já descrita e estudada há mais de cem anos pelas mais variadas abordagens e áreas do conhecimento, ainda continua como fonte de especulações e poucos achados significativos, seja em relação aos seus determinantes e ou ao seu tratamento. Assim, uma questão pode surgir a partir de tais discussões: o esquizofrênico representa algum risco para a sociedade ou para si? Para isso, entendamos primeiramente o que se entende por esquizofrenia. 

Simplesmente por ser equizofrênico,
o sujeito tem que ser preso?

A explicação trazida pelo DSM-IV-TR, o Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (2000/2002) da Associação Americana de Psiquiatria (APA), afirma que a esquizofrenia se caracteriza por dois ou mais dos seguintes sintomas, se presentes por um período de um mês: delírios, alucinações, discurso desorganizado, comportamento desorganizado ou catatônico e sintomas negativos, isto é, embotamento afetivo, alogia (redução ou ausência do falar) ou avolição (incapacidade de iniciar e persistir em atividades dirigidas a um objetivo; falta de vontade). 

A abordagem estruturalista, tão comum na psicologia, não nos fornece explicações sobre as variáveis controladoras da esquizofrenia, apenas descrevem a topografia do comportamento. A literatura tradicional considera a existência de possíveis fatores orgânicos que afetariam a mente, produzindo alterações comportamentais, sendo interpretadas como sintomas de um processo mental subjacente, explicando assim a esquizofrenia. 

Ao contrário, Análise do Comportamento, de abordagem funcionalista -- em que se busca compreender os estímulos antecedentes e consequentes do comportamento -, volta-se para as relações estabelecidas entre a pessoa e seu ambiente. Por esse prisma, dizer que o indivíduo representaria um risco para a sociedade ou para si mesmo por ser diagnosticado como esquizofrênico seria simplificar em demasia um fenômeno já complexo por natureza: o comportamento humano. O que deve ser tomado como foco de análise são as relações desse indivíduo com seu ambiente – relações tanto imediatas como pregressas, ou seja, de sua história de vida. 

Vale lembrar tambem que os meios de comunicação de maneira geral, se utlizam de tais informações e acontecimentos para transformar casos especificos em ibope, esquecendo-se de manter a ética e a imparcialidade nas informações.

O comportamento, seja ele agressivo, violento ou até mesmo suicida, está inserido em uma complexa rede de contingências, assim como qualquer outro comportamento. Tais categorias podem acontecer em qualquer contexto psicopatológico. Além disso, atribuir a causa de um dado comportamento a um transtorno seria endossar a circularidade dessas explicações: “é agressivo pois é esquizofrênico; é esquizofrênico pois é agressivo”, por exemplo. 

Autora: Lorena Fleury de Moura

Adaptação: Sandra Silva.

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